Como funciona o Ranking Mundial de Escalada?

Natalia Grossman (EUA) atual líder do Ranking Mundial de Escalada Boulder+Guiada | Foto: Dimitris Tosidis/IFSC

Natalia Grossman (EUA) atual líder do Ranking Mundial Boulder+Guiada | Foto: Dimitris Tosidis/IFSC

O caminho até Paris 2024 tem início este ano, com vários eventos que já vão valer vaga para os Jogos Olímpicos. Dentro deste contexto de classificação, uma das peças principais é o Ranking Mundial de Escalada, que apesar de não classificar atletas diretamente para as Olimpíadas, define quem irá participar de alguns dos principais eventos qualificatórios. Por exemplo, os Jogos Pan-Americanos de Santiago 2023, que concederá 1 vaga por gênero para Paris, definirá os seus participantes pelo Ranking Mundial de Escalada.

Para 2023 bastante coisa mudou, e por isso achamos importante vir aqui explicar como irá funcionar o cálculo do Ranking Mundial de Escalada, mais precisamente, o ranking Boulder + Guiada. Vamos lá?

Ranking de atualização contínua

O Ranking Mundial de Escalada, assim como os rankings de outras modalidades, é um ranking contínuo. Em inglês, a sigla para ele é CUWR (Continuously Updated World Ranking), ou seja, ele é atualizado constantemente, com as novas pontuações obtidas pelos atletas na temporada sendo somadas. Como o Ranking Mundial de Escalada leva em conta apenas os resultados dos últimos 12 meses, as pontuações mais antigas são descartadas, garantindo um retrato mais fiel do momento atual dos atletas.

O CUWR é calculado pela IFSC para todas as modalidades separadamente (Boulder, Guiada e Velocidade), e desde 2022, para o Combinado Boulder + Guiada.

Eventos válidos para o Ranking Mundial de Escalada

Para figurar em algum ranking mantido pela Federação Internacional de Escalada Esportiva (IFSC), o atleta tem que pontuar em pelo menos um evento válido nos últimos 12 meses. Os principais eventos que valem pontos para o ranking são os do circuito da Copa do Mundo, realizados anualmente, e o Campeonato Mundial, que acontece de 2 em 2 anos.

Desde 2022 os rankings também já computam os pontos obtidos através dos campeonatos continentais IFSC, que também acontecem a cada 2 anos. Em 2023, especialmente, valerão para o ranking os eventos qualificatórios continentais para Paris 2024, incluindo os Jogos Pan-Americanos de Santiago. Para 2024, os Jogos Olímpicos também irão somar pontos.

Apesar de todos valerem pontos para os rankings, cada tipo de evento tem um peso diferente. A pontuação de base são os eventos da Copa do Mundo que tem peso 1 e valem no máximo 1000 pontos para o primeiro lugar. Os Jogos Olímpicos é o evento de maior peso, com um multiplicador de 2.5, ou seja, o campeão olímpico leva 2500 pontos. O Campeonato Mundial vem em seguida, com um multiplicador de 2.

Os eventos continentais tem um multiplicador base de 0.2 com um adicional baseado na “força” de cada continente, calculada previamente nos resultados do ano anterior para cada modalidade. Por exemplo, para os eventos continentais de Boulder+Guiada em 2023 o continente com maior “força” é a Europa, com um multiplicador adicional de 1.5. Fazendo as contas, um continental europeu de Boulder+Guiada vai valer para o primeiro colocado 300 pontos – 200 pontos base (1000 * 0,2), mais o multiplicador adicional da “força” do continente em cima da pontuação base (200 * 1.5). Outro importante detalhe da pontuação dos continentais é que a faixa de pontuação varia de acordo com a quantidade de atletas. Somente os 50% melhores colocados no evento somam pontos, até um limite de 30 atletas. Há também um mínimo de atletas para que o evento conte pontos: 20.

De todas as pontuações obtidas pelos atletas, em todos os eventos que participou, são somadas as 6 maiores dos últimos 12 meses. Para os rankings de cada modalidade (Guiada, Boulder e Velocidade), são somadas as 6 maiores pontuações obtidas naquela modalidade.

Para o ranking de Boulder + Guiada são somadas as 3 maiores pontuações em cada modalidade, com as pontuações de eventos específicos da prova combinada Boulder+Guiada servindo como um “coringa”, podendo substituir a pontuação de qualquer uma das modalidades. Para figurar neste ranking, não basta apenas pontuar em um único evento, é necessário também ter participado de pelo menos um evento de cada modalidade. Por exemplo, um atleta pode ter 3 pontuações válidas em Guiada, mas se não tiver participado, mesmo sem pontuar, de um evento válido de Boulder (ou Combinado), não entrará no ranking.

Brasileiros no Ranking

A atleta Mariana Hanggi é atualmente a brasileira melhor colocada no Ranking Mundial de Escalada (68ª no Ranking Boulder+Guiada Feminino)

Atualmente temos 6 atletas brasileiros figurando nos Rankings Mundiais de Escalada. Entre os homens aparecem Felipe Ho (G, B, B+G), Rodrigo Hanada (B, B+G) , Mateus Bellotto (B, G, B+G) e Pedro Avelar (B). No feminino, temos os nomes de Bianca Castro (G, B+G) e Mariana Hanggi (G, B+G).

Felipe Ho é nosso atleta melhor colocado entre os homens ( 105º Guiada, 103º Boulder, 85º B+G), Bianca Castro nossa atleta melhor colocada na Guiada Feminina (95º) e Mariana Hanggi nossa melhor colocada no Boulder+Guiada Feminino (68º). Para acessar o ranking completo clique aqui.

Em abril tem início a temporada 2023 da Copa do Mundo de Escalada e toda uma estratégia foi montada para somar mais pontos, galgar posições nos rankings e tentar garantir classificação nos Jogos Pan-Americanos e no Olympic Qualifier Series. Mas isso a gente explica melhor em outro post.

 

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